O desaparecimento de Cheryl Grimmer

Cheryl Gene Grimmer (1966 - desapareceu em 12 de janeiro de 1970; declarada legalmente morta em 2011) foi uma criança sequestrada em 12 de janeiro de 1970 na Fairy Meadow Beach em Wollongong, Illawarra, New South Wales, Austrália. Ela estava na área de banho quando testemunhas alegam que um homem pegou ela e fugiu. Acredita-se que ela foi estrangulada até a morte cerca de uma hora depois de sua abdução, no subúrbio próximo de Balgownie.
O desaparecimento de Cheryl permaneceu sem explicação por mais de 45 anos, até que um suspeito foi preso e acusado em março de 2017. Ele se declarou inocente. Seu julgamento é aguardado para acontecer na Suprema Corte de New South Wales em maio de 2019. No entanto, uma decisão do juiz no caso declarou algumas evidências ilegais.

Vida

A família Grimmer emigrou de Knowle, um subúrbio de Bristol, Englaterra à Austrália na primavera de 1968, quando Cheryl tinha dois anos. Ele moravam no Fairy Meadow Migrant Hostel perto da praia quando ela desapareceu. A família consistia da mãe Carole (26), do pai Vince (24), dos filhos Ricki (7), Stephen (5) e Paul (4). Cheryl era a única menina dos Grimmers.

Desaparecimento

Na manhã de 12 de janeiro de 1970, a fam´lia Grimmer foi à praia em Fairy Meadow em Illawarra com exceção de Vince que estava sempre fora trabalhando como sapador para o Exército australiano. Quando o tempo virou às 13:30 (horário local), Carole decidiu que era hora de ir para casa. As crianças foram para a área de banho juntas enquanto Carole pegava seus pertences. Ricki voltou para Carole 10 minutos depois dizendo que Cheryl não queria sair da área de banho. Ela seguiu Ricki de volta à area de banho momentos depois descobrindo que Cheryl havia desaparecido. Não havia um telefone por perto, então Carole foi para uma casa próxima na Elliotts Road e pediu para ligar para a polícia.

Na hora, testemunhas afirmaram que um foi visto segurando Cheryl para beber em uma fonte de água e então fugiu com ela envolta numa toalha. Hoje as afirmações são vistas como improváveis. O irmão de Cheryl, Ricki, lembra de segurar sua irmã para que ela bebesse da fonte e, com isso, acredita-se que as testemunhas misturaram as duas circunstâncias. Também foi afirmado que ela foi vista em um carro branco.

Investigação

O desaparecimento de Cheryl provocou uma caçada massiva. Um dia depois que as investigações começaram, a polícia de New South Wales Police anunciou que eles tinha quatro teorias sobre o paradeiro de Cheryl: (1) que ela estava se escondendo e acabou adormecendo, (2) que ela tinha vagado em direção ao oceano e foi levada pelas correntes, (3) que ela caiu em um caminho d'água ou (4) que ela foi sequestrada. Depois de um dia de buscas, todas com exceção da última foram descartadas e eles começaram a procurar por outras pistas, como uma van azul Volkswagen Tipo 2 que foi vista próxima da cena do crime. No terceiro dia, a polícia recebeu uma nota pedindo $10,000 e declarando que a criança estava ilesa. Ela armou uma emboscada com o dinheiro em Bulli, mas o sequestrador não apareceu apesar da polícia acreditar que a nota era verdadeira. Os policiais se disfarçaram como trabalhadores do conselho para o resgate e, a princípio, temeram que isso levasse o sequestrador a se assustar e que a grande operação policial poderia tê-los possibilitado de ir adiante. Entretanto, o escritor nunca contatou a polícia novamente e assumiu-se que a nota era um trote. O caso se tornou famoso na Austrália e a família voltou à Inglaterra por 10 anos para evitar a atenção da mídia.

Apesar da polícia ter tido 3 suspeitos principais, nenhum pôde ser identificado como o homem visto pelas testemunhas. Pouco menos de 18 meses depois do desaparecimento, em 1971, um adolescente local, então com 15 ou 16 anos, confessou ter abduzido e matado Cheryl. O rapaz deu uma visão geral do que ocorreu no dia descrevendo um portão de aço tubular, um mata-burro, uma trilha e um pequeno riacho perto da cena do crime. Ele levou a polícia para um canto das estradas de Brokers e Balgownie e afimrou que o corpo estava enterrado ali, mas a área passou por um crescimento residencial e, por isso, não pôde ter certeza. A polícia entrevistou o dono da propriedade, que contradisse a descrição do suspeito e afirmou que não havia mata-burro no lugar na época do assassinato e que nunca houve portão de qualquer tipo. Tais inconsistências levaram a polícia a concluir que a confissão do rapaz era falsa. O relatório da polícia, na época, escrito pelo sargento detetive Phillip  Findlay, dizia:

"Considerando que não há evidências materiais para conectar o rapaz à menina, não é interessante tomar qualquer ação contra o mesmo a respeito desse assunto nesse momento."

Apesar dos inúmeros apelos - e uma recompensa de $ 5.000 oferecida pelo governo de New South Wales - não houve nenhum avanço no inquérito e o caso acabou ficando frio.

Avanços posteriores

Nos anos 2000, Michael Gallagher, Ministro de Polícia de New South Wales, afirmou que é possível que tanto Cheryl quanto seu sequestrador estejam mortos, mas expressou esperança de que alguém deve saber a verdade. Ele também levantou a teoria de que Cheryl pode estar viva e livre e encorajou qualquer um que acredite que saiba seu paradeiro a se apresentar. Uma das características de Cheryl que foi citada como uma possível identificadora foi seu umbigo protuberante devido uma condição médica, que pode ou não ter sido corrigida cirurgicamente. Em 2008 uma mulher acreditou ser Cheryl, mas depois de enviar um cotonete retirado de sua bochecha, provou não ser compatível com o DNA de Cheryl.

Em maio de 2011, um médico legista determinou que Cheryl havia morrido pouco depois de seu desaparecimento devido a uma causa indeterminada e recomendou que a polícia reabrisse a investigação - Carole Grimmer afirmou que ela acreditava que sua filha ainda estava viva. Em resposta, a polícia oferece uma recompensa de $ 100.000 por informações a respeito do desaparecimento de Cheryl e os detetives de Wollongong e a equipe de homicídios não resolvidos do esquadrão de homicídios juntaram esforços em uma nova força tarefa chamada "Força de Ataque de Wessell". Pouco tempo depois que a investigação foi reaberta, Carole e Vince Grimmer morreram sem saber o que aconteceu com Cheryl.

Em 2016, uma revisão da evidência foi realizada e tudo, incluindo as afirmações das testemunhas, foi computadorizado pela primeira vez. A revisão revelou que muitas linhas não foram exploradas o suficiente na investigação original, particularmente a confissão de 1971. A polícia voltou a propriedade onde o jovem alegou ter cometido o assassinato e questionou o filho do proprietário, que, contradizendo o pai, disse que com certeza existia um mata-burro na época e que ele lembrava de um portão tubular e também da trilha que levava até um riacho dentro da propriedade.

Ainda em 2016, a Polícia anunciou que três testemunhas haviam se apresentado e lembraram de um jovem vadiando pelos arredores da área de banho e que eles tinham uma linha plausível em um homem que foi visto acrregando uma criança de cabelos lisos na época do desaparecimento de Cheryl. A Polícia afirmou que ele poderia estar na casa dos 60 anos agora e pediram para que ele se apresentasse.
Em janeiro de 2017, a Polícia dirigiu sua atenção a Escola de Treinamento de Mount Penang para Rapazes, uma escola reformatória na qual se acreditava que o suspeito frequentava no começo da década de 1970. Eles implicaram que eles haviam recebido informação de alguém que alegava que a antiga direção ou residentes próximos da escola poderiam ajudar na investigação.
Prisão do suspeito e procedimentos na corte
Em 23 de março de 2017, foi anunciado que um homem havia sido preso no subúrbio de Frankston, Melbourne às 13 horas no dia anterior e foi extratitado de Victoria. Ele foi culpado pelo sequestro e assassinato de Cheryl na delegacia de polícia de Wollongong e foi encarcerado no Complexo Correcional de Silverwater. A Polícia afirmou que é improvável que o corpo de Cheryl seja encontrado já que a antiga área rural sofreu várias músicas durante os 47 anos depois da abdução.
Em abril de 2017, a polícia de New South Wales anunciou que eles estava tentando encontrar uma família que testemunhou no dia da abdução. Logo depois do desaparecimento de Cheryl, a família se mudou para Papua Nova Guiné e então para sua terra natal Nottinghamshire na Englaterra. A Interpol ajudou nos esforços e posteriormente encontrou; seus testemunhos estão sendo considerados cruciais no caso.
Em maio de 2017, foi revelado que o suspeito que foi preso em março era a mesma pessoa que confessou a abdução e assassinato em 1971 e que havia sido liberado devido inconsistências. O acusado é um homem de 63 anos que nasceu em Bretão e estava na Austrália desde a década de 1960. Seu nome não foi revelado porque ele tinha 15 anos na época do crime e era menor de idade. Mais detalhes do crime continuaram a aparecer. Em sua declaração de 1971, o homem – que afirmou aos médicos que em 1970 ele tinha desejo de se matar e matar outras pessoas – disse que, depois da abdução, ele havia se escondido com a criança em um dreno próximo por 35 minutos, amordaçando-a com um lenço e amarrando suas mãos em suas costas com um cadarço. Depois de sair do dreno, ele andou com ela por três quilômetros à pé ao subúrbio de Balgownie, onde, de acordo com a delegada Emilija Beljic, ele intentou ter um intercurso sexual com ela. O acusado negou a última afirmação, chamando de balela. Na confissão original ele disse que a polícia que ele tirou a amordaça e ela começou a gritar, ele colocou suas mãos em volta do pescoço e mandou ela calar a boca, eventualmente estrangulando ela até a morte. Ele aparentemente entrou em pânico, tirou suas roupas e colocou arbustos e areia sobre o corpo antes de voltar para a praia de Fairy Meadow.

A confissão também incluía informação, segundo a delegada, que o homem não poderia saber sem estar na praia quando a abdução ocorreu. Tais detalhes incluem a descrição de uma roupa de banho azul royal que ela estava vestindo e  uma toalha branca que ela estava levando e também o fato de que alguém tinha pegado Cheryl para que ela pudesse beber da fonte, que seu irmão Ricki afirmou ter feito.
A defesa argumentou que ele o acusado estava significativamente instável mentalmente na época da confissão e assim seria inadmissível para a corte. Eles também afirmaram que ele fez outra confissão, para a morte do guarda da prisão, que foi determinada ser falsa.
O defensor apareceu no vídeo link na Suprema Corte de New South Walesd em 7 de setembro de 2018 e falou somente para confirmar seu nome e entrar em apelo de não culpa. Seu julgamento está para acontecer na mesma corte em maio de 2019 apesar do juiz da Suprema Corte de New South Wales ter declarado que algumas evidências serem inadmissíveis no caso e assim o suspeito foi liberado em fevereiro de 2019.

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